segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Alice | País das maravilhas

 

alice



Quando menina li muito... sempre estimulada pelo meu pai, que não media esforços para aumentar nossa biblioteca, com os mais variados temas e autores.
Um dos livros que li foi Alice no País das Maravilhas... me encantei com cada personagem, e suas diversas características que o assemelham a um conto de fadas, quando lido por uma criança, mas que para adultos, ganha renovada dose de complexidade, dando asas a um sem fim de possibilidades.
Um paralelo entre a ficção e a realidade é por vezes, inevitável. Os adultos enxergam suas monstruosidades mais comuns, percebendo um jogo de manipulação de um individuo sobre o outro.
Na primeira cena do livro, Alice está sentada com a família, fazendo o que era comum na Inglaterra Vitoriana, em que tudo se explicava através dos livros e suas narrativas mais comuns. A menina começa a enfadar-se por nada ter o que fazer a não ser ler um livro sem figuras, apenas com diálogos. E o que quebra esse sentimento? A magia que ela mesma acalenta, mas desconhece – ao que tudo indica – e que vem a tona através de um coelho branco...
Cada um de nós tem dentro de si um país e uma pequena Alice, que pulsa e vibra em curiosidade e agitação... todos nós, em algum momento, nos sentimos esgotados, cansados e ao fechar aos olhos, ficando em silêncio, nos deparamos com fugas impunes que nos impulsiona ao desconhecido que somos. Tão atrativo, mas também tão perigoso olhar para dentro e entrar na toca do coelho...
Quando criança é tudo tão mais simples. É apenas um jogo onde a Alice vai de encontro a um mundo imaginário – dentro de um sonho, talvez – mas enquanto adultos, tudo tem duplo sentido, segundas intenções. É um constante jogo de cartas marcadas.
Os personagens que passam em nossa vida ao longo da vida são figuras dissonantes. Nunca sabemos o que serão de fato. Amigos ou inimigos. São possibilidades... alguns nos recebem em abraços demorados, outros nos furam os olhos com gestos inesperados. Exatamente como Alice e seu País.


Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato.

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