segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

As muitas Evas que vivem em nós,

Por Tatiana Kielberman

 

 

maçã

 

 

 

Desde bem pequenos, somos acostumados a ouvir diversas vezes a história da criação do mundo e, consequentemente, de Adão e Eva.

Seja da boca de nossas mães e avós ou, até mesmo, na escola, aprendemos que a mulher foi feita da costela do homem e, pouco depois, ofereceu a maçã proibida a Adão no paraíso, o que teoricamente daria origem a todas as outras imperfeições do homem.

Trata-se de algo que faria bastante sentido se nos detivéssemos apenas ao pensamento pragmatista que nossos antepassados buscaram nos transmitir: nossos atos sempre irão gerar consequências, em menor ou maior escala.

Porém, cabe ressaltar que, em certas vezes, alguns indivíduos acabam pagando o preço pelo “erro” de outros. É muito fácil subverter os fatos e inverter papeis nas mais diferenciadas situações para que algo, geralmente de interesse de uma das partes, prevaleça.

Penso, assim, que atribuir a responsabilidade pelos pecados nossos de cada dia a uma única mulher, no caso, Eva, seria simplificar demais a realidade que, a meu ver, é bastante complexa por si só.

Há muitas Evas presentes em todos nós, seja na lenda respectiva à beleza ou, inclusive, ao próprio erro. Nesse sentido, entram a índole da pessoa, a criação familiar, os antecedentes e, até mesmo, certo lado espiritual diante do qual me sinto imatura e cujos aprofundamento desconheço – mas acredito.

Somos errantes desde que o mundo é mundo. E não, a culpa não é de Eva, de Deus ou de qualquer outra base fundamentadora de ideias.

A culpa é mesmo desta raça humana – que adora colocar a responsabilidade no primeiro que lhe seja conveniente.

 

 

 

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Tatiana Kielberman é psicóloga, escritora e web publisher, não necessariamente nessa ordem.

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